Domingo, Julho 22, 2007
Hoje acordei pensando em francês e com uma dor de cabeça danada. Inventei um forró ontem e para quem não está acostumado é isso que dá. Je ne sais pas que tu peut être, je ne sais pas que tu espère, je cherche toujous a te connaître, et ton silence trouble mon silence.. Je ne sais pas...
<$Heloisa Helena$> - 10:19 AM
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Terça-feira, Maio 01, 2007
<$Heloisa Helena$> - 7:21 AM
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Hoje é dia de pernas para o ar, coração leve, nada de sério para fazer. Quem dera que fosse realmente assim. A mente não descansa. A mente não está nem aí para o 1º de maio.
<$Heloisa Helena$> - 7:18 AM
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Sexta-feira, Abril 27, 2007
A palavra
<$Heloisa Helena$> - 8:28 AM
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Sexta-feira, Novembro 24, 2006
Pablo Neruda
<$Heloisa Helena$> - 7:40 PM
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Quinta-feira, Novembro 23, 2006
Tudo como dantes no quartel de Abrantes. Pássaros piam, sol alumia e esquenta, crianças arrulham como pombas no telhado. E o dia vai alto, igual como todos os dias, como o rio que corre calmamente refletindo o verde das margens. Passeio minha solidão por essa estrada, calada, esquecida do som da própria voz, da dor das próprias dores, da cor dos próprios sonhos. Acho que vem chegando para mim o tempo da desesperança, o tempo da desilusão. Em que momento dessa caminhada terei deixado perder-se a alegria? Onde terei deixado chorando e só a criança que fui? Em que esquina de qual tempo terei expulsado a menininha que brincou durante tanto tempo dentro de mim?
<$Heloisa Helena$> - 5:21 PM
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Sexta-feira, Novembro 10, 2006
Hoje é dia das sombrinhas coloridas, das horas moles, escorregosas, do cheiro de cachorro molhado abanando seus rabinhos pelas ruas úmidas da cidade silenciosa. Às vezes acho que meu amor não vale de nada porque eu queria sofrer as suas dores por você, consolar as suas mágoas, morrer a sua morte por você, mas não posso sequer segurar a sua mão porque estamos longe, longe. E porque somos essencialmente sós, porque meu abraço, meu carinho, minhas palavras nada pode livrará-la das suas horas amargas. Dessas horas que são só suas, impregandas da sua solidão cheia de presenças inúteis.
<$Heloisa Helena$> - 8:49 AM
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Quinta-feira, Novembro 09, 2006
Hoje, quando cheguei da escola, tinham botado abaixo a seringueira secular da esquina. Tenho cá comigo que se tratava de uma seringueira porque os meninos riscavam o tronco e colhiam um líquido viscoso, que servia para colar papagaios. Havia um carro de Bombeiros, uma porção de homens vestidos de vermelho, e o barulho da motosserra dando fim aos últimos resquícios do que havia sido a árvore grande da esquina, com sua copa imensa, seu tronco colossal, suas raízes suspensas no ar e suas duas casas de joão-de-barro. Custo a crer que tudo isso não mais fará parte da paisagem de tantos anos. Era bom sentar na varanda à tarde e ficar ouvindo e observando a algazarra dos passarinhos que chegavam em bandos, fazendo a festa no meio da galharia. Ultimamente havia até dois urubus que faziam ali o seu pouso e permaneciam horas, negros, agourentos, assustando as avezinhas menores.
<$Heloisa Helena$> - 6:10 PM
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Quinta-feira, Novembro 02, 2006
Apesar da vida continuar, apesar do sol, apesar da algazarra dos passarinhos, apesar do cheiro do café fresquinho, apesar da madrugada cálida e fresca, apesar de pensar que tudo o que aconteceu nos últimos dias veio para transformar sua vida para melhor, meus olhos continuam cheios de lágrimas, sua imagem continua vívida vinte e quatro horas por dia em minha mente, seus olhar cheio de apelo e angústia não se afasta da minha memória. Meu Deus, orienta, guia, abraça minha filha e não permita que nada, nada de ruim possa afastá-la de seus propósitos. Abençoa tua filha e envia teu exército de anjos para que possam acompanhá-la em cada passo dessa difícil jornada.
<$Heloisa Helena$> - 6:47 PM
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Quarta-feira, Outubro 11, 2006
Queria falar do meu balanço. Ficava na parte de cima do quintal( porque nosso quintal tinha dois planos: o de baixo onde meu pai cultivava uma pequena e cheirosa horta, e o de cima, onde se chegava por uma escadinha cavada no barranco). Tudo obra do meu pai: a horta, a escadinha, o balanço. Era no galho da goiabeira branca.Eu aproveitava a parte da tarde, quando minha irmã ia para a escola e minha mãe ficava deitada, ouvindo novela de rádio. Eu balançava tão alto, tão alto que chegava a ter medo que meus pés tocassem os fios de luz. Então imaginava que de repente o balanço me atiraria pelos ares e eu atingiria uma nuvem. Às vezes minha mãe acordava e gritava lá de baixo: "Menina! Já pra dentro!" E lá se ia meu vôo em direção às nuvens. Que frio na barriga me dava!
<$Heloisa Helena$> - 5:20 PM
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<$Heloisa Helena$> - 4:37 PM
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Quinta-feira, Outubro 05, 2006
Uma luz continua bruxuleando no fundo da minha alma, como uma lanterna que se agitasse ao longe indicando a próxima estação. Ainda há uma luz pela qual posso guiar-me. Aqueles que um dia me orientaram, seguraram minha mão, ampararam minhas quedas, continuam ao meu lado e isso eu posso sentir. É verdade. Não estou sozinha. Nunca vou estar sozinha porque suas vibrações e seus cuidados me consolam.
<$Heloisa Helena$> - 12:39 PM
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Quinta-feira, Setembro 21, 2006
O que vem à minha cabeça neste momento são lembranças antigas de rolos grossos de nuvens escuras pairando sobre as montanhas. Quando o temporal se aproximava minha mãe cobria todos os espelhos da casa e punha-se a rezar, em pânico. Às vezes, coitada, incapaz de dominar o medo que sentia das tempestades, ela pegava nós duas, minha irmã e eu, e corria para a casa da vizinha mais próxima. Meu pai acabou convencendo-a que às vezes, a desgraça poderia deixar de acontecer em nossa casa para acontecer exatamente na casa da vizinha em que ela se escondia. Então ela parou com aquela história de sair nos arrastando sob a chuva.Depois, lembrei-me também das nossas viagens de trem, atravessando vales e pontes, e rios enxergando lá longe aquelas montanhas que pareciam de ferro, às vezes cobertas de névoa. Eu tinha medo daquela distância toda e daquela solidão onde ó único barulho era o tchac-thac do trem. E um apito longo e dorido de vez em quando. Para mim era muito assustador.
<$Heloisa Helena$> - 9:11 AM
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Domingo, Setembro 17, 2006
<$Heloisa Helena$> - 6:34 PM
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<$Heloisa Helena$> - 6:20 PM
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Segunda-feira, Setembro 04, 2006
Se cada dia cai
<$Heloisa Helena$> - 9:12 PM
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Quando eu era pequena tínhamos um cavalo castanho chamado Botucatu. Nos finais de semana meu pai atreláva-o a uma charrete toda amarela e passeávamos pela Coudelaria de Monte Belo, que ficava em Juiz de Fora. Não consigo me lembrar de nada mais feliz do que isso. Meu pai, minha mãe, minha irmã e eu passeando de charrete pela fazenda.
<$Heloisa Helena$> - 11:47 AM
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Sexta-feira, Setembro 01, 2006
É a hora das cruzes, do escuro;
<$Heloisa Helena$> - 4:54 PM
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Quinta-feira, Agosto 31, 2006
Sabe gente, desculpe eu não ter respondido a nenhum comentário. Vivi na última semana um momento muito triste. Perdi minha irmã caçula e não consigo acreditar.Não adianta ficar buscando justificativas, pretextos para sofrer menos. Fico paralisada na ponta da rua onde ela morava, sem coragem de chegar, ver como estão meus sobrinhos, com medo de tocar a campainha e constatar que ela não virá atender, que nunca mais virá e que é verdade que ela está morta, definitivamente afastada do nosso convívio. Estou muito triste ainda.
<$Heloisa Helena$> - 5:46 PM
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Quarta-feira, Fevereiro 22, 2006
Nada a declarar. Somente que o céu acaba de dasabar e as nuvens são negras, frias, têm gosto de coisa velha e gelada. Por que será que sempre sonho com minha mãe sob um caramanchão florido e ela está sempre muito serena e feliz? Será que é assim que ela se encontra lá, na dimensão para onde partiu deixando-nos órfãos do seu olhar cuidadoso e bom que sempre reencontro nos sonhos? Por que ela insiste tanto em me aparecer nos sonhos?
<$Heloisa Helena$> - 3:58 PM
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<$Heloisa Helena$> - 3:50 PM
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Terça-feira, Fevereiro 14, 2006
<$Heloisa Helena$> - 3:48 PM
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Voltamos aos velhos caminhos. Novas carinhas, novos sonhos, novas expectativas. As crianças parecem melhores. Parece que os esforços para reverter a situação na escola andou surtindo efeito. Ajuda-me, meu Deus, a não frustrar as expectativas dessa gente. E as minhas também.
<$Heloisa Helena$> - 3:41 PM
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Domingo, Janeiro 08, 2006
Sonhar`as vezes se transforma em uma faca de dois gumes.Enquanto fixamos todas as energias em um sonho que dificilmente se realizaria, deixamos passar oportunidades reais ao alcance de nossas mãos."É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã"... O amanhã é daqui a pouco, cada minuto é de morte e de renascimento. Quem sabe se não é essa a última imagem que guardarei nas minhas retinas?
<$Heloisa Helena$> - 11:22 AM
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Quinta-feira, Janeiro 05, 2006
Chove,chove,chove sem parar nesse pedaço de terra de meu Deus. Tudo molhado e escorregoso.Nuvens pesadas, negras, furiosas, empurram para baixo as montanhas pálidas de susto. As árvores se achegam mais e mais, galhos pesados, encharcados, dobrados sob o peso da água. E onde pensam que continuam indo as furiosas e afoitas nuvens que não se cansam de correr? Sinto cheiro de umidade e mofo pelos cantos. Há quanto tempo o sol não aparece? Dias assim me trazem à lembrança os dias de minha avó Virgínia, tarequinhos de fubá que ela fazia para o café moído na hora naquela moendinha velha presa na parede, junto ao portal da cozinha escura de fuligem.
<$Heloisa Helena$> - 3:03 PM
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Sábado, Dezembro 31, 2005
As folhas são verdes, em pleno verão
<$Heloisa Helena$> - 6:22 PM
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Hoje a minha vontade é de não fazer nada. Absolutamente nada. Só ficar bordando calmamente e relembrando os finais de ano do meu antigamente. Foram muitos muito bons, mas houve dois que foram muito, muito tristes. O primeiro foi quando meu irmão Beto sofreu um acidente de carro no dia 23 de dezembro e passou o Natal em coma, vindo a falecer no dia 3 de janeiro de 1982, aos vinte anos de idade. Foi um pesadelo do qual até hoje não acordamos.O segundo foi na passagem de 1985 para 1986, quando minha mãe já estava doente e nós sabíamos que ela não iria se recuperar.
<$Heloisa Helena$> - 9:57 AM
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Domingo, Dezembro 04, 2005
<$Heloisa Helena$> - 12:33 PM
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Sexta-feira, Dezembro 02, 2005
Ouço um soar apavorante de trombetas e gritos na minha mente. São meus sonhos já cansados de se verem ludibriados. São meus sonhos querendo voar, escapar para outros domínios onde algum ser mais forte e corajoso faça o impossível para que se realizem. Não consegui defendê-los do desencanto. E eles nasceram para voar.
<$Heloisa Helena$> - 7:44 PM
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Quinta-feira, Dezembro 01, 2005
"O amor é o ridículo da vida.
<$Heloisa Helena$> - 12:20 PM
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Quarta-feira, Novembro 30, 2005
Faz um tempinho que não escrevo. Fim de ano é sempre muito apertado na escola. E em casa também. Mas não vou passar muito tempo sem escrever porque é bom. Alivia a alma, aquieta o coração.
<$Heloisa Helena$> - 8:12 PM
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Sábado, Novembro 19, 2005
<$Heloisa Helena$> - 6:07 PM
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Sexta-feira, Novembro 18, 2005
<$Heloisa Helena$> - 5:51 PM
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Quarta-feira, Novembro 16, 2005
Gostaria de escrever coisas bonitas hoje porque bonito está o céu com nuvens brancas e o sol está fazendo brilhar como uma chuva de prata as folhinhas miúdas da jabuticabeira. Mas no fundo não estou satisfeita. No fundo não sei se é justo carregar nas costas as conseqüências dos erros alheios assim como, por exemplo, será que sou culpada pelo monte de besteiras que uma filha fez na vida e hoje sofre com isso, e não tem paz nem caminho? Será que pequei em algum momento da minha trajetória e isso alterou definitivamente a rota que ela deveria seguir? Sei lá. Só sei que minha trajetória foi a mesma que guiou meus outros três filhos e eles vivem em paz, cumprindo o destino que cumpre a todo ser humano seguir. A outra, no entanto, às vezes me parece perdida; às vezes não consigo enxergar uma saída porque sinto que nada do ela já passou de ruim lhe serviu de lição. E minha angústia a cada dia se renova porque se um filho se perde, a paz da mãe se perde também e por mais que ela tente se convencer que a vida vai bem, que seus deveres estão sendo cumpridos, que goza de boa saúde e que o mundo continua girando sem atropelos há sempre uma sombra que cobre furtivamente um pedaço do coração.
<$Heloisa Helena$> - 2:43 PM
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Domingo, Outubro 02, 2005
Hoje estou melhor, depois de ler os conselhos bons, as palavras de esperança que me enviaram pelo blogger.Quero agradecer a todos, principalmente as palavras de Adélia, tão cheias de sabedoria. Às vezes acho que não tenho mais coração nem saúde para chegar à escola e olhar nos olhos daquelas crianças, 11, 12 anos de idade, cheirando a álcool, olhos injetados de droga, línguas afiadas para respostas ferinas, desinteresse total por tudo que não faça parte daquele mundinho utópico que elas parecem criar em torno de si, frágil película a protegê-los sabe-se lá de que realidade. Não é nada fácil.
<$Heloisa Helena$> - 7:23 PM
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Terça-feira, Setembro 27, 2005
Frio. Gelado mesmo.Não quero mais trabalhar. Estou cansada.Estou decepcionada com meu trabalho. Não consigo mais acreditar que posso modificar alguma coisa nos pobres destinos daquelas crianças sem rumo e sem esperança.Queria sumir. Queria não precisar mais lutar essa luta inglória. Mas ainda falta tempo para eu aposentar.
<$Heloisa Helena$> - 12:09 PM
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Sábado, Setembro 17, 2005
Estou disposta hoje a rasgar meu coração e deixar que ele sangre até a morte. O sangue escuro, amargo da tristeza, do desencanto. Um anjo mesquinho e mau veio planando furiosamente sobre mim, mudou a cor do céu, mudou o calor do sol, mudou o espelho cristalino do lago em pântano fétido e assustador. Xô, anjo mau!!! Xô, anjo mau!!!!
<$Heloisa Helena$> - 3:30 PM
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Sábado, Setembro 10, 2005
O que dizer nessa tarde quieta de sábado quando os únicos ruídos que ouço são o chilrear dos pássaros nas árvores do quintal e também das crianças mastigando torradas na cozinha? Bom, que eu continuo querendo muito que a minha vida fosse um carro de bois.
<$Heloisa Helena$> - 4:07 PM
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Quinta-feira, Setembro 08, 2005
Quem me dera que a minha vida fosse um carro de bois
<$Heloisa Helena$> - 3:38 PM
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Quarta-feira, Setembro 07, 2005
Luana, hoje no rádio do carro, ouvi uma frase do Lennon que diz exatamente o que vc me disse com outras p0alavras: "Conheci todos os lugares e só me encontrei dentro de mim mesmo". Você tem razão. Sei que vou tornar a me encontrar. É só uma questão de tempo.
<$Heloisa Helena$> - 7:14 PM
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Pensar que o feriado acabou e amanhã terei que enfrentar logo cedo aquelas salas de aula incríveis, insuportáveis deixa-me profundamente desanimada. Sobretudo porque não soube aproveitar o meu dia. Não fiz nada de útil nem para mim nem para a sociedade. Minto. Para a sociedade eu fiz sim. Fiz almoço para a minha família, fui comprar o pão, fiz café, comprei pizzas. Tartefas altamente gratificantes, altamente rotineiras. Na verdade o que eu queria era ter ficado o dia todo deitada na frente de um bom filme tendo alguém que me levasse no sofá o almoço, o café, as pizzas. Não deu.
<$Heloisa Helena$> - 7:05 PM
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Terça-feira, Setembro 06, 2005
Entrei. Um gênio carinhoso e amigo tomou-me a mão e caminhou comigo... E foram tantas as lembranças, tantos sonhos loucoos como nunca vi... Meus dias e minhas noites têm sido sempre iguais. Minhas angústias, meus medos têm sido companhias constantes em todos os momentos. Tenho recordado sempre o passado. Coisas felizes, coisas tristes.Ah, meu Deus, como é que eu faço para voltar a ser a pessoa despreocupada e contente da vida que sempre fui? Onde foi que perdi a a alegria? Em que momento desses dias passados deixei romper o laço da esperança?
<$Heloisa Helena$> - 6:10 PM
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Quarta-feira, Agosto 31, 2005
Tantas vezes eu tentei voltar e dizer que meu amor nada mudou, mas o meu silêncio foi maior e na distância morro todo dia sem você saber... É verdade. Quantas vezes morremos? Pra quantas coisas e pessoas morremos e vice-versa? E por que tememos tanto a morte que tantas vezes nos acomete? Por que nos apavoramos tanto com o nada se nada éramos antes de nascer? Tenho medo de morrer.
<$Heloisa Helena$> - 3:30 PM
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Terça-feira, Agosto 30, 2005
Voltei. Foi bom descobrir que meu blog ainda existe porque uma das coisas que gosto na vida é escrever. Andava meio distante de tudo, deprimida, chateada mesmo. Sabe quando a gente não agüenta mais ficar pensando sempre nos mesmos problemas, as mesmas coisinhas pequenas que de tanto pensar acabam virando um bicho de sete cabeças? Eu ando meio assim. Quem sabe escrevendo bobagens as coisas mudam?
<$Heloisa Helena$> - 7:15 PM
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Domingo, Agosto 28, 2005
Pensei que meu blog não existia mais. Foram tantos percalços, tantas vezes que essa droga de computador pifou, tantos arquivos perdidos que acabei desistindo. Qual não foi a minha surpresa ao encontrá-lo um dia desses aqui, tal e qual o deixei! Agora é só continuar. Retomar o fio partido. Que Bom!
<$Heloisa Helena$> - 5:34 PM
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Domingo, Janeiro 09, 2005
<$Heloisa Helena$> - 6:39 PM
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Quinta-feira, Janeiro 06, 2005
Sou filha da luz e amo o sol. Basta que ele insinue seus raios no leste do meu dia para que todo o meu ser se ilumine e aqueça. As tristezas da noite desaparecem como que por encanto, as dores se dissipam. Agora, por exemplo, são oito horas da manhã e um raio quente aquece minha costela direita, enquanto sentada permaneço a escrever. É vida. Estar viva é muito bom.
<$Heloisa Helena$> - 7:13 AM
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Quarta-feira, Janeiro 05, 2005
<$Heloisa Helena$> - 8:15 AM
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Terça-feira, Janeiro 04, 2005
Mesmo acordada, de olhos abertos, consigo ficar espiando para dentro, o que é muito bom. Nessas ocasiões, sentada na varanda da minha casa, vejo um cavalo de asas que paira sobre os ipês, bem de frente para mim. Sigo-o como que hipnotizada e lá vamos nós. Planamos um pouco sobre os campos crestados de janeiro e viajamos na tarde clara, quente, até quase o cair da noite.Mais do que nunca acredito piamente que ninguém vive sem sonhos. Pode ser um sonho pequeno, como o de ganhar na loteria, por exemplo. Por outro lado, não basta ter um sonho. É preciso acreditar piamente que ele um dia se real. Na verdade, esse cavalo de asas que me guia por mares nunca dantes navegados, é uma figura antiga, companheiro das horas de abandono. Temos voado por infinitos lugares, sentindo os cheiros ainda não cheirados, vendo as coisas ainda não vistas, vivendo momentos ainda não vividos, mas que sonho ainda viver.
<$Heloisa Helena$> - 8:00 AM
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Segunda-feira, Janeiro 03, 2005
Quando eu era pequena, minha mãe possuía um caderno de poemas. Velho, as páginas amarelas, poemas escritos com uma letraa muito linda, com aquelas canetas-tinteiro, antigas, acho que nem existem mais. Eram poemas românticos, tristes. Havia um que eu até decorei de tanto que li. Guardo-o até hoje de cor. Era ssim:
<$Heloisa Helena$> - 7:12 AM
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Amanheceu hoje um lindo dia de céu lavado, limpo, a natureza toda brilhando. Tomara que este ano seja tão bom para mim como o ano que passou. Coisas ruins aconteceram, é claro, mas todas terminaram bem. Entre mortos e feridos, todos se salvaram. Só isso basta para eu achar que foi um ano bom.
<$Heloisa Helena$> - 6:58 AM
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Domingo, Janeiro 02, 2005
Por que te confundes e te agitas diante dos problemas da vida? Deixe que eu cuide de todas as tuas coisas e tudo será melhor. Quando te entregares a mim, tudo se resolverá com facilidade, segundo meus desígnios. Não te desesperes, não me dirijas uma oração agitada, como se quisesses exigir o cumprimento de teus desejos. Fecha os olhos da alma e dize-me com calma: Jesus, eu confio em ti. Evita as preocupações, as angústias e os pensamentos sobre o que podeacontecer depois. Não bagunça os meus planos, querendo impor tuas idéias. Deixa-me ser Deus e atuar com liberdade. Abandona-te confiantemente a mim. Repousa em mim e deixa em minhas mãos o teu futuro. Diga-me freqüentemente: Jesus, eu confio em ti. O que mais dano te causa são tuas razões, tuas próprias idéias e tu quereres resolver as coisas à tua maneira. Quando me disseres "Jesus, eu confio em ti", não sejas como o paciente que pede ao médico que o cure porque lhe sugere o modo de o fazer. Deixa-te levar nos meus braços divinos. Não tenhas medo. Eu te amo. (MENSAGEM DE jESUS)
<$Heloisa Helena$> - 7:48 PM
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Não basta que os pobres tenham pão. É necessário comê-lo com alegria, de manhã, nos jardins. E não basta que haja manhãs e jardins se a gente não tiver todo o tempo das nossas vidas para apreciá-los. Não basta que haja música se o coração não estiver alegre e a gente não se dispuser a sair para a rua e dançar. Não basta que as portas das gaiolas sejam abertas se os pássaros não se dispuserem a voar. Não basta que nos concedam a palavra, é necessário que haja algo a dizer.
<$Heloisa Helena$> - 7:36 PM
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Sexta-feira, Dezembro 31, 2004
Nesse último dia do ano, enquanto espero a hora de fazer a minha tradicional e deliciosa sopa de lentilhas, não sei por que me veio à mente uma passagem da minha infância em Avelar, uma cidadezinha do Estado do Rio, onde eu morava. Era uma fazenda de criação de cavalos do exército e eu devia ter uns oito ou nove anos.Achei um filhotinho de passarinho e levei-o para casa. Escondi-o debaixo do guarda-roupa, dentro de uma caixa de sapatos. Depois chorei a noite toda de arrependimento por ter tirado o filhotinho de sua mãe. Quando amanheceu o dia, eu peguei o filhotinho e fui colocar outra vez no ninho.Hoje vejo que isso foi uma prova de que eu seria uma pessoa boa e sensível. Acho que sou.
<$Heloisa Helena$> - 6:53 PM
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Quinta-feira, Dezembro 30, 2004
<$Heloisa Helena$> - 5:43 PM
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<$Heloisa Helena$> - 5:41 PM
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O ano novo sempre me assusta um pouco. A gente nunca sabe o que ele nos reserva,apesar das esperanças. A gente fica sempre imaginando que o último dia do ano traz um inexplicável poder de renovação e que tudo vai mudar para melhor. Na verdade é apenas um dia como outro qualquer e nada mudará se não fizermos alguma coisa para que isso aconteça.
<$Heloisa Helena$> - 5:37 PM
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Quarta-feira, Dezembro 29, 2004
Para quem eu não voltar a ver, feliz ano novo. Acreditem de verdade nisso e ele será realmente feliz. É só pensar nas coisas ruins que poderiam ter acontecido e não aconteceram. "As coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão.
<$Heloisa Helena$> - 6:31 PM
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Domingo, Dezembro 26, 2004
Ser palmeira, existir num píncaro azulado, vendo as nuvens mais perto e as estrelas em bando... Seria muito legal, né?
<$Heloisa Helena$> - 3:10 PM
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Sexta-feira, Dezembro 24, 2004
Chove ainda. Está tudo mole, frio, escorregoso.Mas é véspera de Natal e o coração se enche de uma certa alegria. Alegria de saber-se rodeada de pessoas. Das presentes e também das ausentes. Talvez mais das ausentes. Porque sentimos os lugares vazios. Porque... é mentira. O coração não se enche de alegria coisa nenhuma.É um dia cheio de falsidade. Eu acho.
<$Heloisa Helena$> - 4:56 PM
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Quinta-feira, Dezembro 23, 2004
O dia amanheceu hoje muito, mas muito chuvoso mesmo. Não dá nem para por o nariz fora de casa. Fiquei com muita pena do Matt que teve que sair com seu guarda-chuva torto debaixo daquele temporal. Depois, Natal com chuva me faz lembrar de um Natal tristíssimo da minha vida, quando meu irmão morreu em acidente de carro. Fiquei triste. Agora tenho que sair por aí, pelos cantos da casa, procurando um motivo de alegria. Ela está por aí, a alegria. Sei que está.
<$Heloisa Helena$> - 7:43 AM
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Quarta-feira, Dezembro 22, 2004
Estive afastada por um tempo porque meu computador estragou. Sabe como é... máquina que todo mundo usa, casa de mãe joana, sempre aparece um ignorante que não entende das coisas e... a vaca vai pro brejo. Isso fez com que meu Natal ficasse muito pobre porque tive que gastar todo o meu dinheiro consertando isso. Mas não tem importância. Afinal de contas, Natal é espírito, não é materialismo. Natal é amor e esperança no coração. Desejo a todos que lerem essa mensagem que tenham o Natal mais feliz de todos os tempos e que o ano de 2005 traga a realização de todos os sonhos que vc têm sonhado.
<$Heloisa Helena$> - 11:53 AM
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Compreender os vacilos de Deus sobre a Terra imensa.
Aceitar o sorriso indesejado,o sonho trocado.
Infringir as regras do óbvio para virar poesia.
Pôr as estrelas no colo e os erros no bolso.
Escutar o eco do outro através do espelho.
Permanecer com os braços abertos, com os corpos grudados.
Dormir de um século pro outro e acordar.
Copiei isso lá do Cantinho da Felicidade. Achei legal.
Pablo Neruda
... Sim Senhor, tudo o que queira, mas são as palavras as que cantam, as que sobem e baixam ... Prosterno-me diante delas... Amo-as, uno-me a elas, persigo-as, mordo-as, derreto-as ... Amo tanto as palavras ... As inesperadas ... As que avidamente a gente espera, espreita até que de repente caem ... Vocábulos amados ... Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, são espuma, fio, metal, orvalho ... Persigo algumas palavras ... São tão belas que quero colocá-las todas em meu poema ... Agarro-as no vôo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo-as, aparo-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como ágatas, como azeitonas ... E então as revolvo, agito-as, bebo-as, sugo-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as ... Deixo-as como estalactites em meu poema; como pedacinhos de madeira polida, como carvão, como restos de naufrágio, presentes da onda ... Tudo está na palavra ... Uma idéia inteira muda porque uma palavra mudou de lugar ou porque outra se sentou como uma rainha dentro de uma frase que não a esperava e que a obedeceu ... Têm sombra, transparência, peso, plumas, pêlos, têm tudo o que ,se lhes foi agregando de tanto vagar pelo rio, de tanto transmigrar de pátria, de tanto ser raízes ... São antiqüíssimas e recentíssimas. Vivem no féretro escondido e na flor apenas desabrochada ... Que bom idioma o meu, que boa língua herdamos dos conquistadores torvos ... Estes andavam a passos largos pelas tremendas cordilheiras, pelas .Américas encrespadas, buscando batatas, butifarras*, feijõezinhos, tabaco negro, ouro, milho, ovos fritos, com aquele apetite voraz que nunca. mais,se viu no mundo ... Tragavam tudo: religiões, pirâmides, tribos, idolatrias iguais às que eles traziam em suas grandes bolsas... Por onde passavam a terra ficava arrasada... Mas caíam das botas dos bárbaros, das barbas, dos elmos, das ferraduras. Como pedrinhas, as palavras luminosas que permaneceram aqui resplandecentes... o idioma. Saímos perdendo... Saímos ganhando... Levaram o ouro e nos deixaram o ouro... Levaram tudo e nos deixaram tudo... Deixaram-nos as palavras.
Me gustas cuando callas porque estás como ausente,
y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
Parece que los ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.
Como todas las cosas están llenas de mi alma
emerges de las cosas, llena del alma mía.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,
y te pareces a la palabra melancolía.
Me gustas cuando callas y estás como distante.
Y estás como quejándote, mariposa en arrullo.
Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza:
déjame que me calle con el silencio tuyo.
Déjame que te hable también con tu silencio
claro como una lámpara, simple como un anillo.
Eres como la noche, callada y constelada.
Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.
Me gustas cuando callas porque estás como ausente.
Distante y dolorosa como si hubieras muerto.
Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto.
Agora há pouco, era de se ver os passarinhos todos pousados no fio, silenciosos, mudos, como se lamentassem os galhos espalhados pelo chão, o enorme tronco feito em pedaços, a resina branca pingando, pingando, como se pingasse o sangue de um assassinado.
Ao virar a esquina e dar com aquela desolação, minha netinha ficou por um instante paralisada e comentou:¿Nossa, vó, parece que o mundo acabou, né? Ficou tudo pelado.¿
Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
Mario Quintana
Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia...
como
uma pobre lanterna que incendiou!

Desenlacemos as maos, porque nao vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer nao gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassosegos grandes.
Sem amores, nem ódios, nem paixoes que levantam a voz,
Nem invejas que dao movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.
Amemo-nos tranquilamente, pensando que podiamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.
Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente nao cremos em nada,
Pagaos inocentes da decadencia.
Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-as de mim depois
sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as maos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.
Se cada dia cai, dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.
há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.
Pablo Neruda (Últimos Poemas)
do descanso das cores
e das luzes


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No outono se perdem e morrem no chão
Meu amor como as folhas
Já mudou de estação
Hoje o inverno impera
Em meu coração.
Por ocasião do Natal, meu pai sempre preparava uma receita de bacalhau que era (e ainda ´pe) a marca registrada dos natais da nossa família. Depois, com as sobras, ele preparava deliciosos pastéis.E eu aqui, hoje, fico tentando manter vivas as tradições que me embalaram naquele tempo, mas os sabores são outros, os dias são outros e nada mais é igual.
Essa é uma foto que me traz ao mesmo tempo doces recordações e muita tristeza. é de um lugar que se chamava Coudelaria de Avelar, onde passei os anos mais felizes da minha infância.Era uma fazenda de criação de cavalos do Exército e ficava no estado do Rio de Janeiro. Mas acabou. Virou isso aí. Que pena!
A gente procura nele uma pureza
que está sempre se pondo, indo embora. Sorte é se abandonar
e aceitar essa vaga idéia
de paraíso que nos persegue, bonita e breve como borboletas que só vivem 24 horas
Morrer não dói..."
"O mundo é um moinho, vai triturar seus sonhos tão mesquinhos, vai reduzir as ilusões a pó... de cada amor tu herdarás só o cinismo, quando notares estás à beira de um abismo, abismo que cavaste com teus pés..."

"O vento corta os seres pelo meio.
Só um desejo de nitidez ampara o mundo...
Faz sol. Fez chuva. E a ventania
Esparrama os trombones das nuvens no azul.
Ninguém chega a ser um nesta cidade,
As pombas se agarram nos arranha-céus, faz chuva.
Faz frio. E faz angústia... É este vento violento
Que arrebenta dos grotões da terra humana
Exigindo céu, paz e alguma primavera. "
Passeando por um vale como esse. Já pensou?Nada mais tenho a dizer diante disso.
Queria escrever um monte de coisas que me angustiam, mas às vezes até me faltam palavras.Seria melhor falar de coisas alegres, mas naverdade não consigo pensar em nada alegre. Ando muito chateada com a hipocrisia das pessoas. Fico até pensando como é que as pessoas conseguem ser tão hipócritas diante de outras pessoas e depois colocar a cabeça no travesseiro e dormir. Vou pensar em alguma coisa alegre. Juro que vou.
Que vem a chiar, manhãzinhacedo, pela estrada,
E que para de onde veio volta depois
Quase à noitinha, pela mesma estrada.
Eu não tinha que ter esperanças - tinha só que ter rodas
A min ha velhice não tinha rugas nem cabelos brancos...
Quando eu já não servia tiravam-me as rodas
E eu ficava virado e partido no fundo do barranco.(Fernando Pessoa)
"Bendito seja o mesmo sol de outras terras
que faz meus irmãos todos os homens
Porque todos os homens, um momento do dia, o olham como ...
Hoje acordei e fiquei meio triste. Também, o dia está muito triste. Umcéu baixo, pesado e cinza cobre todo o meu pedaço. Os passarinhos estão voando baixinho e agitados, como se quisessem fugir de alguma coisa.Então eu abri um livro do Fernando Pessoa que tenho na minha gaveta da cabeceira e dei com uns versos que dizem assim:
"Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.
Bo nito, né? Muito bonito.
Laura, do Rio de Janeiro, obrigada por suas palavras. Obrigada também para Lúcia. É muito bom ver que, vivemos na era em que pessoas lá longe, que a gente nunca viu, podem conhecer nossos pensamentos e divagações mais íntimas, como se lessem nossos pensamentos, uma espécie de telepatia. Legal,né? E viva a modernidade!!!
"Ó, tu, que vens de longe,
ó, tu, que vens cansada
Entra, e sob este teto amigo encontrarás carinho
Eu nunca fui amado e vivo tão sozinho
Vives sozinha sempre e nunca foste amada.
A neve anda a branquear lividamente a estrada
e a minha alcova tem a tepidez de um ninho
entra ao menos até que a curva do caminho
se banhe no explendor nascente da alvorada.
E depois, quando o sol dourar de novo
Esaa estrada imensa, sombria e má,
podes partir de novo, ó nômade formosa
já não serei tão só, nem irás tão sozinha,
há de ficar comigo uma saudade tua,
hás de levar contigo uma saudade minha.

Precisamos admitir que somos muito falíveis. Precisamos ser mais tolerantes com as falhas alheias, rir das pequenas desgraças do dia-a-dia, expulsar a ira, o mau humor, a inveja, as intriguinhas baratas. Precisamos exercitar a tolerância e a sabedoria para que possamos existir de maneira mais serena.
Seu nome: Heloisa Helena
Cidade: Três Corações - Minas Gerais
Profissão: Professora e Mãe.
Minha intenção é apenas passar um pouco de tudo que já aprendi e vou aprendendo pela vida, o que cada vez mais me convence do quanto vale a pena viver.
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